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Nicolina |
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Os números Nicolinos - As Danças de S. Nicolau
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Excertos do livro "Guimarães e as Festas Nicolinas", Lino Moreira da Silva, 1991
Acerca da origem das Danças, deverá lembrar-se que desde sempre elas foram usadas para assinalar datas importantes do quotidiano e da vida. Concretamente no século XVIII, elas revelaram-se muito populares. Até na corte assim acontecia, tendo sido, por exemplo, com a realização nomeadamente de danças de grandioso efeito que se celebrou o casamento de D. Maria I com o Infante D. Pedro, a 6 de Junho de 1760 (Teófilo Braga, "O Povo Português nos seus Costumes, Crenças e Tradições", vol. I, Lisboa, 1985, pág. 299-300).
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A nível popular, era até costume os homens dos ofícios (os oficiais) praticarem danças específicas - as danças dos cutileiros, dos carpinteiros, dos correeiros, dos ourives ...
No que concretamente se refere às Danças Nicolinas, para além das inegáveis influências externas recebidas, a sua raiz terá de localizar-se longe, efectivamente naquele momento em que, por necessidade de angariar fundos para a construção da Capela de São Nicolau, instituição e manutenção do culto de São Nicolau e demais obrigações impostas pelo levantamento da sua Irmandade, haveria que realizar representações e danças. Era o Compromisso da Irmandade de São Nicolau, datado de 1691, que assim o determinava.
A Capela de São Nicolau foi justamente levantada com dinheiro conseguido desse modo.
É certo que, nesses recuados tempos, o objectivo não era a realização das danças e de representações por si mesmas, pelo que se não pode falar de Danças Nicolinas nessa altura; esse foi o meio que os Estudantes encontraram, à imagem de uma enraizada tradição académica europeia, confirmada por uma forte aceitação popular, para angariar fundos para cultuar o Santo Patrono dos Estudantes.
Dessa posição inicial, evoluiu-se para uma outra, já não de finalidade religiosa, mas antes aproveitando-se o cunho de diversão que danças e representações poderiam facultar. Foi-se dissipando, pois, essa ligação directa inicial do religioso e do profano, chegando-se à situação que é conhecida hoje.
Se inicialmente se admitiam Irmãos na Confraria só com o objectivo de garantir essas representações, não estando sujeitos sequer ao pagamento da jóia imposta aos demais confrades, pouco a pouco elas foram passando para a alçada dos Coreiros da Colegiada e Estudantes da mesma instituição, com prioridade para os de finalidades cívicas e laicas, sendo mais tarde herdados pelos Estudantes da Aula de Latim, Colégios da Cidade, Estudantes do Liceu e demais instituições académicas de Guimarães.
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À sessão solene de encerramento das Nicolinas é dado também o nome de "mascarada", devido ao facto de os Estudantes, por tradição, se apresentarem nela mascarados.
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Nas representações dos Estudantes, predominava a personificação de dignidades da mitologia clássica, com um destaque especial, entre outras, para Minerva, e também Vénus e Cupido. Não admira: os Estudantes tinham em atenção os seus deveres de escolares, mas ao mesmo tempo não podiam descurar o que mais significativamente caracterizava a fase da vida que atravessavam - os requebros do coração ...
A mascarada ajudava a dar cor ambiental às personagens alegóricas e simbólicas que o público espectador conhecia bem, completando a expressividade e a riqueza dos trajes usados. As mulheres, seguindo as tradições antigas, não entravam nas funções nicolinas, e a máscara permitia certos jogos de cena, tal como acontecia com o teatro clássico (com personagens como o Maccus, o Pappus, o Bucco e o Dossenus, da "atelana", bem cuidados, por exemplo, por Plauto, que exerceu marcantes influências em Camões, e teve continuadores no teatro estudantil) e com o teatro medieval.
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O costume das Danças, primeiro na via pública, depois em casas particulares, e por último no palco do teatro, foi-se prolongando ao longo dos anos. As Danças eram realizadas com um empenhamento destacado por Nicolinos Novos, ainda que alguns fossem os Velhos que não resistissem aos apelos da saudade e se misturassem com eles na sua realização. Aliás, todos faziam falta, num tempo em que o número de Estudantes no activo não tinha comparação em relação ao que se verifica hoje. (...) De todos os lados os Nicolinos Velhos acudiam por altura das Festas. Sabiam que eram precisos, que não poderia ser por falta de colaboração que as tradições escolásticas se deixariam de cumprir.
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Sabemos que foi durante todo o tempo de existência do Teatro Afonso Henriques que as Danças Nicolinas se realizaram com elevado brilho, por dinamismo especial dos Nicolinos Novos. Até que os Nicolinos Novos se cansaram, e a realização das Danças Nicolinas passou para a responsabilidade dos Nicolinos Velhos, mudando-se-lhes a designação anterior para a de "Danças dos Velhos".
NOTA: As Danças de São Nicolau continuam a cargo dos Velhos Nicolinos, nomeadamente da Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães. No dia 6 de Dezembro sobem ao palco com números coreográficos, rábulas, ditos espirituosos, cantarias e muito humor..
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